<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Mãe em Palavras]]></title><description><![CDATA[Maternidade, ansiedade e realidade: crônicas sinceras pra quem vive sem manual.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0xtH!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F74857922-0a56-41cb-bae9-3596b37ed2ff_256x256.png</url><title>Mãe em Palavras</title><link>https://carreiraefilhos.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 07 May 2026 21:41:34 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://carreiraefilhos.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Natália Soares]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[maeempalavras@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[maeempalavras@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Natália Soares]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Natália Soares]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[maeempalavras@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[maeempalavras@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Natália Soares]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[101 anos, vó]]></title><description><![CDATA[Ontem, 13 de abril, minha av&#243; Maria do Carmo faria 101 anos, se estivesse viva.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/101-anos-vo</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/101-anos-vo</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 14 Apr 2026 10:03:14 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/613603ce-5b94-4e94-bdb2-d5754bbfa1ab_1200x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, 13 de abril, minha av&#243; Maria do Carmo faria 101 anos, se estivesse viva. E eu fiquei pensando nela.</p><p>&#201; curioso como &#233; dif&#237;cil imaginar a vida inteira de algu&#233;m que a gente s&#243; conheceu num peda&#231;o. Quando eu nasci minha av&#243; j&#225; era uma idosa. Uma senhora de 1,50m, cabelos curtos com permanente e sempre com uma camada generosa de laqu&#234; Karina, esmalte Rosa Rei da Colorama nas unhas, brincos de rubi nas orelhas, mandava fazer vestidos sob medida, era muito religiosa, gostava de ler, cozinhava maravilhosamente bem e fazia croch&#234; como ningu&#233;m.</p><p>Mas ela n&#227;o come&#231;ou ali. </p><p>Uma menina de 16 anos que saiu de Portugal, de navio, rumo ao Brasil depois do falecimento dos pais. Uma viagem que durava mais de um m&#234;s.</p><p>Ela tinha o cabelo comprido, usava tran&#231;as enroladas no topo da cabe&#231;a, como uma tiara. E, no meio da travessia, pegou piolho. Quando chegou aqui, teve que cortar o cabelo bem curtinho. Lembro dela me contando isso. E lembro de sentir, mesmo sem entender totalmente, o tamanho daquela tristeza de que entre tantas perdas, o cabelo era mais uma delas. </p><p>Antes disso, l&#225; em Tr&#225;s-os-Montes, numa aldeia chamada Paradela, ela era s&#243; uma menina brincando. Subia um morrinho com as amigas e brincava de ver qual xixi descia mais r&#225;pido pela pedra. Achei aquilo engra&#231;ado quando ouvi, quase bobo. Mas hoje eu acho precioso.</p><p>Porque me lembra que, antes da mulher forte, da av&#243;, da imigrante que reconstruiu a vida, existia uma crian&#231;a. E a gente esquece que essas mulheres que vieram antes de n&#243;s tamb&#233;m tiveram inf&#226;ncia, vergonha, vaidade, sonhos.</p><p>Minha av&#243; estudou pouco. Teve poucas escolhas, mas teve for&#231;a e resili&#234;ncia.</p><p>E eu fico pensando: o que ela teria sido, se tivesse tido as mesmas oportunidades que eu tenho hoje? N&#227;o d&#225; pra saber.</p><p>Mas d&#225; pra reconhecer uma coisa: a vida que eu tenho hoje n&#227;o come&#231;ou em mim. Ela come&#231;ou muito antes,  em mulheres como ela, que atravessaram oceanos, abriram caminhos e sustentaram a vida com o que tinham.</p><p>Hoje, eu posso escolher. Seguir com mais consci&#234;ncia do caminho que foi aberto. Que heran&#231;a! Obrigada vov&#243;. </p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/101-anos-vo?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/101-anos-vo?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Compartilhar</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/101-anos-vo/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/101-anos-vo/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Amor líquido e a coragem de ficar]]></title><description><![CDATA[Reflex&#245;es sobre escolhas e ren&#250;ncias]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/amor-liquido-e-a-coragem-de-ficar</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/amor-liquido-e-a-coragem-de-ficar</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 10:02:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/77305577-1c99-4e05-9d00-0906f2c6e23e_5883x3922.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu tinha 25 anos, levei um p&#233; na bunda de um namorado de forma inesperada. Eu fiquei muito triste, muito mesmo. E, curiosamente, lembro que a minha maior preocupa&#231;&#227;o, era nunca mais ter a oportunidade de encontrar algu&#233;m para casar.</p><p>Muitos amigos e conhecidos estavam casando. Todo fim de semana era vestido longo, igreja, pista de dan&#231;a e fotos felizes no Facebook. Sentia-me atrasada e fora do roteiro. Como se tivesse perdido o bonde da vida adulta.</p><p>Um dia, conversando com meu pai, ele me disse algo que, na &#233;poca, soou quase cruel:</p><blockquote><p>Filha, quando voc&#234; chegar aos 30, vai ver v&#225;rios desses casais se separando. Anota o que estou te dizendo. Casar agora n&#227;o &#233; sin&#244;nimo de eternidade, nem de felicidade.</p></blockquote><p>Enfim, passados esses anos, hoje aos 40, eu entendo muito bem o que ele quis dizer.</p><p>Vivemos em tempos de amor l&#237;quido, como j&#225; trazia o conceito de <strong>Zygmunt Bauman</strong>, no livro <strong>Amor L&#237;quido</strong>, onde as pessoas buscam conex&#245;es r&#225;pidas, vivem muito no individualismo, t&#234;m medo do compromisso. Os relacionamentos s&#227;o fr&#225;geis, os v&#237;nculos s&#227;o superficiais e descart&#225;veis.</p><p>E com isso, os relacionamentos amorosos acabam trazendo uma dificuldade maior.</p><p>Por um lado, a modernidade trouxe a op&#231;&#227;o da escolha. Eu caso com quem eu quiser, eu me separo quando eu quiser. Isso &#233; um avan&#231;o precioso.</p><p>Por outro lado, a era do amor l&#237;quido tamb&#233;m traz muita instabilidade nos relacionamentos, pois o relacionamento &#233; baseado em escolhas e ren&#250;ncias. </p><p>Cada escolha dentro de um casamento &#233; tamb&#233;m uma pequena despedida de outras possibilidades. </p><p>Muitas vezes, um lado est&#225; vivendo um momento mais glorioso de vida do que o outro, a partir de uma escolha e de uma ren&#250;ncia feita ali pelos dois.</p><p>Escolhas e ren&#250;ncias dentro de um relacionamento fazem parte. Elas exigem maturidade. Muitas vezes voc&#234; vai estar do lado de fazer ren&#250;ncias, de talvez fazer escolhas que n&#227;o s&#227;o as mais agrad&#225;veis, as que voc&#234; mais gostaria, mas que talvez sejam a melhor escolha, a mais sensata para aquele momento do relacionamento e da fam&#237;lia.</p><p>E isso vem com a maturidade e ter certeza de que, mesmo quando &#233; uma escolha que n&#227;o &#233; t&#227;o gostosa ou t&#227;o confort&#225;vel, ela faz parte da coisa mais bela que &#233; um relacionamento afetivo: a escolha di&#225;ria de estar com aquela pessoa.</p><p>Voc&#234; pode deixar um namorado ou marido (e, em alguns casos, ir embora ou deixar ir &#233; o gesto mais saud&#225;vel que existe). Porque diferente de pai, m&#227;e ou filho &#8212; que s&#227;o v&#237;nculos permanentes por natureza &#8212; o amor rom&#226;ntico &#233; um v&#237;nculo renov&#225;vel.</p><p>O relacionamento amoroso &#233; uma escolha di&#225;ria. Fomentar aquele amor, a cumplicidade, a parceria &#233; uma escolha di&#225;ria. Muitas vezes eu me vejo no lado favorecido dentro de uma escolha. Em outras, tamb&#233;m me vejo no lado de pensar: &#8220;Putz, agora &#233; a hora de ceder. Agora &#233; a hora de favorecer o outro. Agora &#233; a hora do outro estar mais confort&#225;vel do que eu.&#8221;</p><p>Ou ent&#227;o, &#224;s vezes, &#233; o momento de n&#243;s dois estarmos confort&#225;veis.</p><p>Amar &#233; continuar escolhendo. </p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/amor-liquido-e-a-coragem-de-ficar?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/amor-liquido-e-a-coragem-de-ficar?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Compartilhar</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/amor-liquido-e-a-coragem-de-ficar/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/amor-liquido-e-a-coragem-de-ficar/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Deram licença para o pai cuidar]]></title><description><![CDATA[Sobre a lei da licen&#231;a-paternidade e o que ela significa de verdade]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/deram-licenca-para-o-pai-cuidar</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/deram-licenca-para-o-pai-cuidar</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 31 Mar 2026 16:00:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/79e3dc4b-7061-4cd0-ad1b-a0fa73d4adc6_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, uma lei foi sancionada no Brasil.</p><p>N&#227;o &#233; uma lei qualquer. &#201; uma dessas mudan&#231;as que a gente vai contar para filho e talvez at&#233; para o neto.</p><p>O Brasil ampliou a licen&#231;a-paternidade: de 5 dias, que a gente sabe que n&#227;o &#233; nada, para at&#233; 20 dias. E, para as empresas que aderirem ao Programa Empresa Cidad&#227;, pode ser de at&#233; 35 dias. </p><p>A mudan&#231;a &#233; gradual: em 2027, ser&#227;o 10 dias. Em 2028, 15. A partir de 2029, chegamos aos 20 dias obrigat&#243;rios. E o custo passa a ser da Previd&#234;ncia Social, assim como j&#225; acontece com a licen&#231;a-maternidade.</p><div><hr></div><p>Eu precisei parar aqui pra pensar no que 5 dias significam na pr&#225;tica.</p><p>Cinco dias &#233; o tempo que a gente ainda est&#225; cambaleando. Que o leite ainda est&#225; descendo. Que a cicatriz d&#243;i. Que o beb&#234; confunde dia com noite e a gente chora junto de cansa&#231;o, de amor, de susto e de gratid&#227;o.</p><p>Cinco dias &#233; pouco at&#233; pra entender o que aconteceu.</p><p>E a maioria dos pais volta para o trabalho exatamente nesse momento. Deixando a m&#227;e sozinha em um dos per&#237;odos mais intensos da vida.</p><div><hr></div><p>A lei &#233; principalmente sobre presen&#231;a.</p><p>Estudos mostram que pais que tiram pelo menos duas semanas de licen&#231;a t&#234;m 31% mais chance de manter a amamenta&#231;&#227;o por mais tempo. Que o envolvimento paterno nos primeiros meses est&#225; relacionado a mais autoestima, melhor desempenho escolar e mais sa&#250;de emocional nas crian&#231;as. Que quando o pai est&#225; presente, a sobrecarga da m&#227;e diminui e com ela, o burnout, o abandono de carreira e o adoecimento silencioso.</p><div><hr></div><p>E sabe o que mais me toca nessa lei?</p><p>Ela reconhece, em forma de pol&#237;tica p&#250;blica, que o cuidado n&#227;o &#233; coisa de m&#227;e. Que pai tamb&#233;m cuida com colo, com cheiro, com presen&#231;a. Que a paternidade presente n&#227;o &#233; um favor que o homem faz &#224; fam&#237;lia. &#201; um direito dele, das crian&#231;as e das m&#227;es.</p><p>&#201; uma lei que chegou tardia  37 anos depois da Constitui&#231;&#227;o. Mas chegou.</p><div><hr></div><p>Ent&#227;o hoje, quando voc&#234; leu essa not&#237;cia, espero que tenha pensado nisso:</p><p>Tem um pai que vai poder segurar o filho rec&#233;m-nascido por mais tempo sem precisar escolher entre o beb&#234; e o emprego. Tem uma m&#227;e que vai ter algu&#233;m do lado nas madrugadas mais dif&#237;ceis. Tem uma crian&#231;a que vai come&#231;ar a vida com dois adultos presentes.</p><p>Isso &#233; uma lei e o in&#237;cio de uma mudan&#231;a cultural na sociedade.</p><p>E come&#231;os assim: mesmo que graduais e imperfeitos merecem ser celebrados.</p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/deram-licenca-para-o-pai-cuidar?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/deram-licenca-para-o-pai-cuidar?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Compartilhar</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/deram-licenca-para-o-pai-cuidar/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/deram-licenca-para-o-pai-cuidar/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Mulher em Palavras]]></title><description><![CDATA[Uma reflex&#227;o sobre viol&#234;ncia, avan&#231;os e o que ainda seguimos normalizando]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/mulher-em-palavras</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/mulher-em-palavras</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 03 Mar 2026 10:02:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/aeb76105-a800-4de6-a537-12e4b1662c8d_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Estamos nos aproximando do Dia da Mulher e, nos &#250;ltimos meses, temos acompanhado o aumento vergonhoso de feminic&#237;dio e viol&#234;ncia sexual no Brasil. </p><p>Not&#237;cias de uma mulher arrastada por um carro pelo namorado. Uma mulher assasinada pelo ex-marido. Uma religiosa idosa morta dentro da pr&#243;pria casa, enquanto alimentava as galinhas. Um homem que mata os pr&#243;prios filhos como forma de ferir a mulher que n&#227;o queria mais o relacionamento. Uma adolescente estuprada por um grupo de jovens adultos. </p><p>Apesar de diferentes, esses casos parecem carregar uma l&#243;gica parecida. Uma ideia antiga e insistente de que a mulher &#233; um objeto, uma posse, uma propriedade, um pertence. Algo que pode ser controlado. E que, quando escapa do controle, vira amea&#231;a.</p><p>Essa l&#243;gica n&#227;o nasce no ato extremo. Come&#231;a quase invis&#237;vel, vai sendo cultivada aos poucos, em lugares que parecem pequenos demais para preocupar. Em piadas machistas, m&#250;sicas que romantizam o ci&#250;me excessivo, linguagem sexista na rotina, coment&#225;rios que chamam controle de cuidado, em meninas que aprendem cedo demais a suavizar a pr&#243;pria presen&#231;a. </p><p>Quando a viol&#234;ncia aparece de forma t&#227;o brutal nas not&#237;cias, ela nos lembra que existe algo mais profundo que ainda precisa ser revisto. Como m&#227;e de dois meninos, isso me toca profundamente. Pergunto-me se estamos ensinando os nossos meninos a lidar com frustra&#231;&#227;o, raiva e vulnerabilidade. Se estamos preparando homens capazes de sustentar as pr&#243;prias emo&#231;&#245;es. <br><br>Ser&#225; que estamos formando adultos funcionais, que sabem cozinhar um arroz, arrumar a pr&#243;pria cama, cuidar da pr&#243;pria vida? Que entendem que chorar n&#227;o &#233; fraqueza e que agressividade n&#227;o &#233; prova de masculinidade?<br><br>Para pensar no Dia da Mulher hoje &#233; preciso pensar nos nossos meninos e homens. Assim, conseguimos olhar nas mulheres do presente, nas que vieram antes e tamb&#233;m nas mulheres que ainda vir&#227;o.</p><p>Que este 8 de mar&#231;o seja um convite a olhar de forma cr&#237;tica para o que seguimos normalizando. Enquanto existir a ideia de que mulher &#233; posse, qualquer avan&#231;o ser&#225; fr&#225;gil.<br></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/mulher-em-palavras/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/mulher-em-palavras/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Reflexões sobre um grito]]></title><description><![CDATA[M&#227;e imperfeita e em constru&#231;&#227;o.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/reflexoes-sobre-um-grito</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/reflexoes-sobre-um-grito</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 24 Feb 2026 10:02:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6aadd1c8-41fe-43c1-933e-d720b8ebf60e_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Esses dias eu gritei com meu filho.<br><br>N&#227;o foi aquele grito pra chamar aten&#231;&#227;o. Foi grito de raiva, frustra&#231;&#227;o, exaust&#227;o.<br><br>Gritei alto. Gritei pra ele parar, pra ele me ouvir, pra ele sentar. Gritei com o corpo todo: bati o p&#233;, fiz cara feia. Joguei no ch&#227;o o que tava na minha m&#227;o.</p><p>Na hora, ele chorou, se assustou. E eu&#8230; eu me senti uma farsa.</p><p>Sou uma profissional que trabalha com parentalidade. Que escreve, pensa, fala sobre o equil&#237;brio entre trabalho e filhos. Que vive dizendo que educa&#231;&#227;o &#233; afeto, que somos um time, que a maternidade precisa ser leve. E ali, naquele momento, eu fui tudo menos leve.<br><br>Dessa vez, eu perdi a m&#227;o. E na mesma hora veio o peso. A vergonha. Aquela sensa&#231;&#227;o de que falhei feio. De que, mesmo sem querer, machuquei.</p><p>Essa &#233; uma das coisas mais dif&#237;ceis quando trabalho e vida pessoal se misturam: a r&#233;gua da coer&#234;ncia fica mais alta. Mesmo sem fingir perfei&#231;&#227;o, me senti uma impostora, como se n&#227;o tivesse o direito de errar.</p><p>Depois respirei e me acalmei.<br>Conversei com meu filho, pedi desculpa.<br><br>Expliquei porque fiquei irritada, onde ele tamb&#233;m tinha pisado na bola. A gente se ouviu, se acolheu. E juntos combinamos como podemos fazer melhor. Eu como m&#227;e, ele como crian&#231;a em forma&#231;&#227;o, que ainda est&#225; aprendendo a um dia ser gente grande.</p><p>Educar &#233; isso. N&#227;o existe receita infal&#237;vel.<br>Aqui em casa eu sigo o &#8220;m&#233;todo Nat&#225;lia Soares&#8221;: um pouco de educa&#231;&#227;o respeitosa, um pouco de afeto e, &#224;s vezes, um pouco de grito.</p><p>E tem uma coisa que reconhe&#231;o com gratid&#227;o: eu tenho um parceiro. Um pai presente, envolvido, que joga no mesmo time. Quando um perde a paci&#234;ncia, o outro segura a onda. &#192;s vezes &#233; s&#243; um toque no ombro, um olhar. Temos a certeza que n&#227;o estamos competindo. Estamos juntos, tentando acertar mais do que errar.</p><p>Tem dias em que a culpa pesa. Outros em que a leveza vence.<br>E no fim, o que fica &#233; o compromisso de continuar presente, mesmo que imperfeita. <br></p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/reflexoes-sobre-um-grito/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/reflexoes-sobre-um-grito/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Primeiro filho, tudo novo. Segundo filho, tudo diferente.]]></title><description><![CDATA[O primeiro filho tem dois adultos bem-intencionados. O segundo tem pai e m&#227;e.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/tres-frases-de-sabedoria-popular</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/tres-frases-de-sabedoria-popular</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 03 Feb 2026 10:02:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c8ba1c40-2002-4005-a8b9-e9aef5770ef0_800x533.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Hoje quero compartilhar uma frase que escutei pela primeira vez quando estava gr&#225;vida do meu primog&#234;nito:</p><h1>O primeiro filho tem dois adultos bem-intencionados. O segundo tem pai e m&#227;e.</h1><p>Ouvi essa frase de uma amiga querida e, na &#233;poca, dei risada, achei espirituosa, mas confesso que me deu uma pontinha de inc&#244;modo. &#8220;Como assim? Ent&#227;o n&#227;o sou m&#227;e ainda?&#8221;</p><p>Mas bastou meu segundo filho nascer pra eu entender direitinho o que ela quis dizer.</p><p>Com o primeiro, a gente &#233; isso mesmo: dois adultos bem-intencionados, cheios de teoria, livros que v&#227;o desde <em><strong>Crian&#231;as francesas n&#227;o fazem manha</strong></em>, passando por <em><strong>O c&#233;rebro da crian&#231;a</strong></em><strong> </strong>e <em><strong>Beb&#234;s e suas m&#227;es</strong></em> (pra quem curte uma psican&#225;lise), filmes e s&#233;ries assistidos sobre o tema, um poss&#237;vel curso para pais, promessas e expectativas. Querendo fazer tudo &#8220;certo&#8221;.<br><br>&#201; um amor enorme e uma inseguran&#231;a do mesmo tamanho.</p><p>No segundo filho, n&#227;o tem manual, mas tem mem&#243;ria.<br>Tem instinto j&#225; treinado, tem calma, hist&#243;ria, jornada. </p><p>&#201; verdade que o segundo filho n&#227;o tem a exclusividade que o primeiro teve.<br>A aten&#231;&#227;o j&#225; &#233; dividida, o tempo &#233; compartilhado. Mas a&#237; que entra a beleza da coisa: em compensa&#231;&#227;o, ele encontra uma m&#227;e e um pai muito mais preparados.</p><p>Mais inteiros.<br>Mais maduros.<br>Mais seguros.<br>Mais presentes no que realmente importa.</p><p>Se com o primeiro a gente ainda &#233; um esbo&#231;o, no segundo a gente j&#225; ganhou contorno. Com o primeiro a gente aprende. Com o segundo, a gente &#233;.</p><p>&#201; por isso que essa frase, que l&#225; atr&#225;s me soou esquisita, hoje faz todo sentido.<br><br>A fam&#237;lia vai se criando, desenvolvendo, evoluindo, dia ap&#243;s dia. <br>E isso por si s&#243; &#233; um presente.<br><br></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/tres-frases-de-sabedoria-popular/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/tres-frases-de-sabedoria-popular/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O espelho da infância]]></title><description><![CDATA[Eu me vejo no meu filho]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-espelho-da-infancia</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-espelho-da-infancia</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 27 Jan 2026 10:01:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a101dc50-a4f1-48b8-b24a-700547a2f493_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Uma das coisas mais bonitas da maternidade, pra mim, &#233; o espelho. Ter um filho &#233; se enxergar, &#224;s vezes com do&#231;ura, &#224;s vezes com dor. &#201; estar diante de algu&#233;m que, sem saber, revive em voc&#234; quem voc&#234; j&#225; foi.</p><p>Tenho me visto muito no meu filho mais velho. No jeito como ele ama, distribui beijos, manda beijinho de longe, gruda num abra&#231;o. Eu sou uma pessoa amorosa tamb&#233;m, ent&#227;o ali tem espelho.</p><h4>Mas tamb&#233;m me vejo quando ele fica frustrado, bravo, faz bico e quando n&#227;o sabe nomear o que sente. &#201; nessa hora que a Nat&#225;lia crian&#231;a aparece. Aquela que se emburrava e se sentia incompreendida. E talvez por isso, nesses momentos, eu o abrace com mais for&#231;a. N&#227;o s&#243; meu filho, mas a menina que fui. Digo pra ele que est&#225; tudo bem e &#233; uma forma de dizer isso pra mim tamb&#233;m.</h4><p>Esses dias a gente viajou. Ele, todo falante, soltava umas p&#233;rolas. Umas palavras ditas do jeito errado, umas observa&#231;&#245;es fora de hora, engra&#231;adas demais. Eu e meu marido d&#225;vamos risada. N&#227;o era gargalhada, era aquela risada abafada, emocionada. Aquela que diz: que del&#237;cia te ver crescer.</p><p>Mas ele ficou bravo. Achou que a gente tava rindo dele. N&#227;o entendeu que o riso era de ternura.</p><p>Na hora, eu voltei pra mesa da cozinha da minha inf&#226;ncia. Me vi falando alguma coisa s&#233;ria, importante pra mim, e meus pais rindo. Lembro da minha chatea&#231;&#227;o, de sentir que n&#227;o me levavam a s&#233;rio e estavam zombando de mim. Hoje eu sei que n&#227;o era deboche. Era espanto bom. Era a alegria de ver uma crian&#231;a se fazendo gente.</p><p>Foi a&#237; que eu entendi meu filho. E entendi meus pais tamb&#233;m.</p><h4>Ser m&#227;e e pai &#233; se dividir entre o agora e o antes. Entre quem voc&#234; &#233; e quem j&#225; foi. </h4><p>&#201; bonito demais esse olhar nost&#225;lgico que a maternidade acende. Um d&#233;j&#224; vu de alma. Uma ponte entre tempos. Uma chance de, enfim, se acolher inteira.<br></p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-espelho-da-infancia/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-espelho-da-infancia/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Se o céu tem cheiro, é de bebê recém-nascido]]></title><description><![CDATA[O cheiro que passa voando e fica pra sempre: sobre amor, tempo e eternidade]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/se-o-ceu-tem-cheiro-e-cheiro-de-bebe</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/se-o-ceu-tem-cheiro-e-cheiro-de-bebe</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 20 Jan 2026 10:17:28 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5571646b-c562-4649-81b2-9af55f714213_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tem cheiro que atravessa o tempo. Que fica. Que brota do nada numa tarde qualquer e te desmonta.</p><p>O cheiro de beb&#234; rec&#233;m-nascido &#233; um deles.</p><p>N&#227;o aquele cheiro de pomada ou de len&#231;o umedecido, pescocinho de leite azedo e coc&#244; de leite materno (que eu tamb&#233;m adoro, me julguem). &#201; o cheiro de beb&#234; que acabou de nascer, ainda nem tomou banho, ainda na maternidade. </p><h4>O melhor cheiro &#233; o do in&#237;cio de tudo.</h4><p>&#201; um cheiro que n&#227;o se descreve, s&#243; se vive. Um aroma quente, de colo, de promessa. Um cheiro que gruda na mem&#243;ria feito tatuagem invis&#237;vel. <br><br>&#192;s vezes, me pego cheirando o cangote dos meus filhos pra encontrar aquele restinho de c&#233;u. Porque, se o c&#233;u tem cheiro, s&#243; pode ser esse.</p><p>Cheiro de paz que dorme no peito da gente.<br>Cheiro de mundo rec&#233;m-chegado.<br>Cheiro de amor em estado bruto.</p><blockquote><h4>E talvez por isso, quando nasce um filho, nasce tamb&#233;m uma saudade que j&#225; vem embutida. Saudade do agora, que j&#225; virou antes. Do cheiro que logo se esvai. Do tempo que n&#227;o espera.</h4></blockquote><p>Os dias se embolam, o corpo d&#243;i, a cabe&#231;a falha. Mas aquele cheiro te ancora.</p><h4>E eu penso: que sorte a minha poder ter sentido isso duas vezes.<br>Que sorte a nossa poder viver cheiros que s&#227;o eternidade.</h4><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/se-o-ceu-tem-cheiro-e-cheiro-de-bebe/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/se-o-ceu-tem-cheiro-e-cheiro-de-bebe/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O cordão invisível ]]></title><description><![CDATA[Sobre o elo invis&#237;vel entre uma m&#227;e e seu beb&#234;.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-cordao-invisivel</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-cordao-invisivel</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 13 Jan 2026 10:02:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/18cf9938-f707-49fe-b640-fa1dd8c11ee5_800x533.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Quando me tornei m&#227;e, achei que o cord&#227;o umbilical tinha sido cortado na sala de parto.<br><br>Ledo engano.</p><p>Lembro da primeira vez que sa&#237; de casa depois que o meu beb&#234; nasceu. Uma semana de vida e a primeira consulta com a pediatra. Teve banho demorado, roupa pensada, foto em fam&#237;lia antes de sair. Um pequeno grande evento.</p><p>O que eu n&#227;o esperava era o estranhamento.</p><p>Lembro de olhar pela janela do carro e estranhar o mundo. Os &#244;nibus passando, o tr&#226;nsito engarrafado, as pessoas indo trabalhar como se nada tivesse acontecido. A vida seguia absolutamente igual e isso me pareceu desalinhado, desajustado, esquisito, inadequado, inc&#244;modo, quase ofensivo.</p><p>Porque, dentro de mim, tudo tinha parado. <br>Ou melhor: tudo tinha se transformado.</p><p>Eu j&#225; n&#227;o sabia o que era dia ou noite. Meu rel&#243;gio era outro. O tempo agora se media em mamadas, fraldas, tentativas de fazer dormir, tentativas de dormir. Eu vivia num ciclo curto, intenso, meio fora do mundo. Sobrevivendo. Existindo em fun&#231;&#227;o de um ser min&#250;sculo que dependia de mim para tudo.</p><p>Com doze dias de beb&#234; e muito incentivo da pediatra criamos coragem para o primeiro passeio &#8220;por prazer&#8221;. Uma volta no quarteir&#227;o que, de forma atrevida, virou um almo&#231;o num restaurante aqui perto de casa. Lembro da sensa&#231;&#227;o de al&#237;vio. Como se eu estivesse, aos poucos, reaprendendo a respirar fora das paredes de casa.</p><h1>Aos quarenta e cinco dias de vida do meu beb&#234;, veio a primeira grande ousadia: sair sozinha. Sem ele.<br></h1><p>Queria ir &#224; manicure, na rua de tr&#225;s da minha casa. Perto, simples, r&#225;pido. Organizei toda a log&#237;stica: amamentei, conferi hor&#225;rios, deixei tudo alinhado. Meu marido foi um porto seguro, me tranquilizou, disse pra ir em paz.</p><p>E eu fui.</p><h1>Mas assim que fechei a porta de casa, algo aconteceu. Senti, com uma clareza assustadora, como se ainda houvesse um cord&#227;o umbilical me ligando ao meu beb&#234;. Invis&#237;vel, mas firme. Um elo.</h1><p>Eu estava feliz por sair sozinha, sim. Mas, ao mesmo tempo, tomada por uma ang&#250;stia dif&#237;cil de explicar. Um sentimento de liberdade com prazo de validade. Um regime semiaberto. Eu podia ir, desde que voltasse logo. Desde que n&#227;o esquecesse que tinha hora marcada para existir fora.</p><p>Como eu amamentava no peito, n&#227;o tinha outra alternativa naquele momento para aliment&#225;-lo se n&#227;o fosse a partir do meu corpo. Ent&#227;o, eu tinha hor&#225;rio contato pra voltar. <br><br>O tempo deixa de ser seu. <br>O corpo tamb&#233;m.</p><h1>Eu lembro dessa sensa&#231;&#227;o como uma tentativa de liberdade com cl&#225;usulas. Um ir e vir atravessado por culpa, urg&#234;ncia, amor e responsabilidade. Uma alegria contida. Uma ansiedade doce e dura ao mesmo tempo.</h1><p>Com meu segundo filho, foi diferente. Mais leve.<br>N&#227;o porque o amor fosse menor (nunca &#233;) mas porque eu j&#225; sabia. Sabia que tudo se ajeita. Que esse cord&#227;o invis&#237;vel vai, aos poucos, ficando mais longo. Que a liberdade condicional vira um novo tipo de liberdade. Que a gente se adapta. Que a vida encontra outras formas de fluir.</p><p>Aprendi tamb&#233;m que essa experi&#234;ncia muda conforme a rede de apoio que temos (ou n&#227;o temos). Conforme o colo que nos sustentou enquanto aprend&#237;amos a sustentar outro.</p><p>Hoje, olhando pra tr&#225;s, entendo: o cord&#227;o n&#227;o some de uma vez.<br>Ele se transforma.</p><p>E talvez nunca desapare&#231;a completamente.<br>Talvez ele s&#243; vire isso: um fio invis&#237;vel de amor, que estica, afrouxa, mas n&#227;o se rompe.</p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-cordao-invisivel/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-cordao-invisivel/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Você não precisa pedir desculpas ]]></title><description><![CDATA[(mas eu pedi)]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/voce-nao-precisa-pedir-desculpas</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/voce-nao-precisa-pedir-desculpas</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 06 Jan 2026 10:02:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6dafc167-f492-419c-ae38-4757e726f0bf_1200x1200.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Janeiro chegou. M&#234;s de f&#233;rias, viagem, rotina do avesso e adultos iludidos achando que v&#227;o descansar.</p><p>Aproveitando o clima, quero contar a hist&#243;ria de umas f&#233;rias minhas de quase tr&#234;s anos atr&#225;s. Na &#233;poca, eu era m&#227;e de um filho s&#243;. O Gustavo tinha um ano e meio. Eu e o meu marido decidimos passar tr&#234;s semanas na Europa: Alemanha e depois Espanha.</p><p>Al&#233;m da vontade leg&#237;tima de viajar, existia tamb&#233;m um sentimento menos nobre: a pressa de provar que dava pra continuar vivendo como antes da maternidade. Que ter um filho n&#227;o ia mudar <em>tanto</em> assim a nossa vida. <strong>Spoiler: muda. Muito. </strong></p><p>Antes da viagem, minha maior preocupa&#231;&#227;o n&#227;o era a mala. Era o avi&#227;o.</p><blockquote><p>Eu me perguntava absolutamente tudo:<br>Ser&#225; que ele vai dormir?<br>Ser&#225; que vai chorar?<br>Ser&#225; que vai chorar muito?<br>Ser&#225; que as pessoas v&#227;o me odiar?<br>Ser&#225; que eu vou parar no Twitter (quem chama de X?) como &#8220;a m&#227;e do beb&#234; insuport&#225;vel do voo&#8221;?</p></blockquote><p>Perguntei em grupos de pais dos quais eu participava. Pedi relatos, dicas, hist&#243;rias de sobreviv&#234;ncia. Pesquisei no Instagram. Salvei posts. Levei uma almofadinha que encaixa no bra&#231;o da poltrona e vira um mini travesseiro que n&#227;o fez absolutamente nenhuma diferen&#231;a. Zero. Nula. </p><p>Pesquisei se dava pra embarcar com o carrinho (descobri que o meu n&#227;o) e qual tipo de carrinho de beb&#234; precisaria arrumar pra embarcar junto. Tem que usar alguma cadeirinha espec&#237;fica pro beb&#234; no avi&#227;o ou vai no colo? Que tipo de comida levar e qual a quantidade? Pode levar comida caseira? Consigo passar pela seguran&#231;a com &#225;gua e leite em p&#243; para a mamadeira? Que tipo de entretenimento posso planejar para um beb&#234; de 1 ano e meio entediado? Fiz um TCC mental sobre log&#237;stica a&#233;rea com beb&#234;s.</p><p>Eu estava tensa. Mas confiante. As viagens anteriores tinham sido boas. Repetia isso pra mim mesma.</p><blockquote><p>E tinha um pensamento que me confortava:<br><strong>&#8220;Nat&#225;lia, voc&#234; n&#227;o conhece ningu&#233;m nesse avi&#227;o. Se der tudo errado, paci&#234;ncia. Voc&#234; nunca mais vai ver essas pessoas.&#8221;</strong></p></blockquote><p>Isso me tranquilizava.</p><p>At&#233; a gente entrar no avi&#227;o.</p><p>Sentamos: eu, Diego e Gustavo no meu colo.<br>Na sequ&#234;ncia, entra uma pessoa que trabalhava comigo. Tamb&#233;m chamada Nat&#225;lia.<br>E senta EXATAMENTE na poltrona da frente.</p><p>Eu pensei:<br>&#8220;Claro. Por que n&#227;o?&#8221;</p><p>Todo o meu conforto psicol&#243;gico evaporou. Agora, al&#233;m de lidar com um beb&#234; possivelmente em colapso, eu tinha plateia conhecida.</p><p>O voo era tarde, depois das onze da noite. Sa&#237;mos completamente da rotina de sono do Gustavo. Na hora do jantar, com luz acesa, barulho, cheiro de comida e caos geral, ele j&#225; estava exausto e irritado.</p><p>Quando as luzes finalmente se apagaram, a Nat&#225;lia da frente reclinou a poltrona, como qualquer pessoa sensata faria para dormir.</p><p>E a&#237; come&#231;ou o verdadeiro show.</p><p>O Gustavo, deitado no meu colo, encostava sem querer na tela touch do entretenimento logo na nossa frente.<br>A tela acendia.<br>Ele se irritava.<br>Eu desligava.<br>Ele chorava ainda mais.<br>Eu tentava afast&#225;-lo.<br>Ele encostava de novo.<br>Looping eterno.</p><p>Aquela tela touch parecia viva. Ativa. Hostil.<br>Um inimigo silencioso da maternidade.</p><p>Tentei faz&#234;-lo dormir, mas ele j&#225; tinha passado do ponto. Entrou naquele choro de exaust&#227;o profunda, onde nada funciona. Nem colo, nem mamadeira, nem troca de posi&#231;&#227;o, nem m&#250;sica de ninar, nem ora&#231;&#227;o ou benzedeira, nem promessa de mesada futura.</p><h1><strong>Ele chorou por cerca de 45 minutos.</strong></h1><p>E eu fiquei dura. Travada. Tentando resolver e, ao mesmo tempo, querendo desaparecer e renascer como uma pessoa sem filhos em outro continente.</p><p>Aqui fa&#231;o um par&#234;ntese importante: existe a lenda urbana de que m&#227;es n&#227;o se importam quando o filho chora no avi&#227;o. Mentira. A m&#227;e est&#225; se desfazendo por dentro, fazendo contas mentais do tipo:<br>&#8220;Ser&#225; que eu posso pedir desculpa preventivamente pra todos?&#8221;<br>&#8220;Ser&#225; que eu compro um chocolate pra cada passageiro?&#8221;<br>&#8220;Ser&#225; que eu pulo pela porta de emerg&#234;ncia?&#8221;</p><p>&#201; angustiante. Pro beb&#234;. Pros pais. Pra todo mundo.</p><p>Em determinado momento, uma comiss&#225;ria de bordo se aproximou com delicadeza, perguntando se podia ajudar. Aquilo n&#227;o resolveu o choro, mas foi bom, me senti vista e um pouco cuidada. </p><p>At&#233; que, por exaust&#227;o, ele dormiu.</p><h1><strong>E assim que ele dormiu, quem come&#231;ou a chorar fui eu.</strong></h1><p>Chorei de al&#237;vio.<br>De tens&#227;o acumulada.<br>De vergonha desnecess&#225;ria.<br>De cansa&#231;o absoluto.</p><p>Uma senhora da nossa fileira olhou pra mim e disse:<br>&#8220;T&#225; tudo bem, fica tranquila.&#8221;</p><p>Mesmo assim, pedi desculpas paras pessoas ao redor. Pedi desculpas, inclusive, pra Nat&#225;lia que trabalhava comigo.</p><p>Hoje eu sei: eu n&#227;o precisava.<br>Mas naquela hora, pedir desculpa parecia a &#250;nica coisa sob meu controle. <br>Afinal, n&#227;o d&#225; pra controlar se um beb&#234; vai chorar ou n&#227;o. A gente pode planejar tudo e ainda assim perder o controle. Fazer o melhor poss&#237;vel, &#224;s vezes, &#233; tudo.</p><p>Eu nunca julguei um beb&#234; chorando no avi&#227;o.<br>Mas hoje, al&#233;m de n&#227;o julgar, eu me reconhe&#231;o. Eu me compade&#231;o.<br>Porque eu sei exatamente o que est&#225; acontecendo ali.</p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/voce-nao-precisa-pedir-desculpas/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/voce-nao-precisa-pedir-desculpas/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Recomeços]]></title><description><![CDATA[Feliz ano novo!]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/recomecos</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/recomecos</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 30 Dec 2025 10:02:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1996c351-804d-412a-9691-e5b5917586f1_1080x1080.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A cada dia um recome&#231;o. A cada dia uma nova chance.</p><p>Oportunidade de escrever e reescrever.<br>Oportunidade de come&#231;ar, de continuar e de encerrar.<br>Oportunidade de chorar e sorrir, de parar e seguir.<br>Oportunidade de viver e de descansar.<br>De se permitir florescer e de se podar, de sonhar e acordar.</p><p>Nem todo recome&#231;o &#233; leve.</p><p>Alguns s&#227;o como poesia: tudo rima, tudo flui.<br>Alguns s&#227;o como trov&#227;o: estrondo, medo e afli&#231;&#227;o.</p><p><strong>E, ainda assim, &#233; recome&#231;o.</strong></p><p>A vida n&#227;o p&#225;ra, mas se reinventa. Ela se faz e se refaz em n&#243;s.<br><br>Feliz 2026! <br></p><div><hr></div><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/recomecos/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/recomecos/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p><br></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Torta de nozes]]></title><description><![CDATA[Sobre a minha mem&#243;ria afetiva de Natal em fam&#237;lia]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/torta-de-nozes-80a</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/torta-de-nozes-80a</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 23 Dec 2025 10:02:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu n&#227;o me lembro de um Natal sem torta de nozes.<br>Na minha fam&#237;lia, ela &#233; mais natalina que Papai Noel e panetone.</p><p>A receita chegou at&#233; n&#243;s por caminhos curiosos: minha av&#243; materna, Maria do Carmo, aprendeu com Dona Eliza, irm&#227; do cunhado da minha av&#243; (sim, &#233; confuso). Na &#233;poca, minha m&#227;e era uma &#8220;crian&#231;a grande&#8221; e conta que se lembra da visita de um tio padre como o marco zero da tradi&#231;&#227;o: foi naquele Natal que a torta passou a fazer parte da nossa mesa.</p><p>A lembran&#231;a da minha av&#243; fazendo a torta &#233; cinematogr&#225;fica.<br>A bancada de granito, as m&#227;os branquinhas, manchadas pela idade, as unhas arredondadas pintadas de rosa queimado. Ela mexia aquela massa grudenta com calma e m&#233;todo, enquanto a mistura de nozes trituradas, passas brancas e mel tomava a cozinha inteira com seu perfume doce e acolhedor.</p><p>Minha m&#227;e e tias herdaram a receita e a miss&#227;o. Todo ano, com precis&#227;o quase cir&#250;rgica, elas repetem os passos da vov&#243; Maria.<br><br>E eu? Sigo ansiosa. &#201; s&#243; o cheirinho come&#231;ar a se espalhar pela casa que minha inf&#226;ncia inteira reaparece.</p><p>Fecho os olhos e vejo a forma de inox com a torta no centro, a casa cheia, os elogios, o caf&#233; da manh&#227; do dia 25, com frutas e fatias generosas de torta de nozes.<br><br>Esse ano ainda nem chegou o Natal, mas ela j&#225; me visita em pensamento.</p><p>Pouco antes de sair da casa dos meus pais para casar, fiz um caderno de receitas.<br>Adivinha qual foi a primeira a entrar? Claro: a torta.<br><br>Ao pedir a receita &#224; minha m&#227;e, fiquei indignada. Tudo o que eu perguntava, ela respondia: &#8220;fa&#231;o a olho&#8221;. Gera&#231;&#227;o Rita Lobo sofre.</p><p>A receita da torta de nozes da minha fam&#237;lia &#233; assim. Intuitiva. Sensorial. N&#227;o &#233; exata, mas &#233; emocional. E por isso, sempre sai especial.</p><p>Fiquei pensando em outras fam&#237;lias com receitas que tamb&#233;m t&#234;m esse s&#237;mbolo natalino t&#227;o marcado pela presen&#231;a de uma av&#243;, de uma m&#227;e, de um cheiro, uma textura.</p><p>Talvez essa torta nem seja &#8220;a melhor torta de nozes do mundo&#8221;. Mas pra mim, &#233;.<br>Porque &#233; a nossa. E porque carrega junto o gosto do tempo que passa, das m&#227;os que cuidam, das mem&#243;rias que ado&#231;am a vida.</p><p>Feliz quase Natal. E que nunca nos falte torta, nem mem&#243;ria.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg" width="1200" height="1600" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1600,&quot;width&quot;:1200,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:178640,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/i/179134906?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!K1SG!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90f383eb-9073-4012-93ba-fa3c970d1afb_1200x1600.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O tabu de ser mãe]]></title><description><![CDATA[N&#227;o importa o que voc&#234; escolha &#8212; v&#227;o te julgar.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-tabu-de-ser-mae</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-tabu-de-ser-mae</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 16 Dec 2025 10:02:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5a453d48-afd8-41c6-8284-0ba24e1de879_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ser m&#227;e &#233; viver num campo minado de julgamentos.<br>Voc&#234; pode at&#233; escapar de alguns, mas de todos&#8230; nunca.</p><p>Antes do beb&#234; nascer, j&#225; come&#231;am os olhares enviesados:<br>&#8212; Vai ser parto normal ou ces&#225;rea?</p><p>E n&#227;o importa a resposta. Algu&#233;m vai torcer o nariz.<br>Se voc&#234; escolhe o parto normal, &#233; &#8220;radical&#8221;.<br>Se opta pela ces&#225;rea, &#233; &#8220;conformada&#8221;.</p><p>Depois vem o &#8220;vai receber visita na maternidade?&#8221;<br>Tem quem ache um absurdo n&#227;o receber.<br>Tem quem ache um absurdo receber.<br>Palpite &#233; o que n&#227;o falta. Apoio real? Nem sempre.</p><p>Amamentar, ent&#227;o?<br>&#201; outro campo de batalha. Como se fosse s&#243; for&#231;a de vontade.<br>Como se todas as dores, rachaduras, febres e dificuldades fossem fic&#231;&#227;o.<br>Eu s&#243; consegui amamentar porque fui MUITO apoiada.<br>Tive uma rede. Tive consultora, pediatra especializada e um parceiro presente.<br>Nem todo mundo tem. Nem todo mundo quer. E est&#225; tudo bem.</p><p>E quando o caminho &#233; outro?<br>Ado&#231;&#227;o? Vem julgamento.<br>FIV? Vem julgamento.<br>Gravidez n&#227;o planejada? Julgamento.<br>Perda gestacional? Sil&#234;ncio.<br>Escolher n&#227;o ter filhos? Senten&#231;a social.</p><p>Tudo em torno da maternidade &#233; tabu.<br>Pol&#234;mico. Opin&#225;vel. Escancarado na boca de quem n&#227;o vive a sua hist&#243;ria.</p><p>E n&#227;o para por a&#237;.</p><p>Ser m&#227;e no mercado de trabalho &#233; estar sempre sob suspeita.<br>Vai faltar porque o filho adoeceu. Vai sair mais cedo porque tem apresenta&#231;&#227;o na escola.<br>E tem quem aponte o dedo:<br>&#8212; &#8220;Mas ela quis ser m&#227;e&#8230;&#8221;</p><p>A verdade &#233; que tudo o que voc&#234; fizer, vai ter algu&#233;m julgando.<br>Se separa, &#233; porque &#8220;n&#227;o escolheu bem o pai&#8221;.<br>Se continua casada, &#233; &#8220;submissa&#8221;.<br>Se usa contraceptivo, est&#225; pecando.<br>Se n&#227;o usa, est&#225; errado.</p><p>E a &#250;nica sa&#237;da poss&#237;vel &#233; essa:<br><strong>viver a sua vida. Fazer as suas escolhas. E amar essas escolhas.</strong></p><p>Talvez voc&#234; mude de ideia. Talvez erre. Talvez se arrependa.<br>Mas naquele momento, era o que parecia certo.<br>E isso basta.</p><p>No fim, o que eu quero &#233; ser a melhor m&#227;e poss&#237;vel para os meus filhos.<br>Com erros, com acertos, com tentativa, escuta e afeto.<br>Fazendo o melhor que eu posso, com o que eu tenho, do jeito que d&#225;.</p><p>Porque perfei&#231;&#227;o n&#227;o existe.<br>Mas coragem, sim.<br>E a gente est&#225; cheia dela.</p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-tabu-de-ser-mae/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-tabu-de-ser-mae/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O meu porto seguro]]></title><description><![CDATA[No dia em que ser filha era tudo o que eu precisava.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/porto-seguro</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/porto-seguro</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 09 Dec 2025 10:01:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Bz1d!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b6cab46-ade7-4b16-8510-89eecda3d096_6000x4000.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Um dia desses eu tive uma crise de ansiedade. <br><br>Dormi mal, levantei v&#225;rias vezes. Um aperto no peito, peso no est&#244;mago, dor na barriga, parecia que o ar me faltava. Sensa&#231;&#227;o de formigamento no corpo.</p><p>Quando a manh&#227; chegou, recebi um abra&#231;o afetuoso do marido que, meio sonolento, percebeu minha movimenta&#231;&#227;o noturna.</p><p>Ainda com aquela sensa&#231;&#227;o esquisita e inc&#244;moda no corpo, tomei um banho, mas n&#227;o consegui me alimentar. Levei meu filho pra escola e n&#227;o pensei duas vezes: <strong>no alto dos meus 40 anos, liguei para os meus pais.</strong></p><h2>E assim, depois de cumprir minha primeira fun&#231;&#227;o M&#195;E do dia, rumei pra casa dos meus pais, onde eu posso ser unicamente filha. </h2><p>Fui recebida com carinho, um beijo da minha m&#227;e e um abra&#231;o apertado do pai. </p><p>Os dois se sentaram no sof&#225; pra ouvir o motivo de tanta ang&#250;stia. Ficaram tranquilos que o motivo era &#8220;apenas aquele&#8221;. <br><br>Meu pai criou um blend de saquinhos de ch&#225; para que eu me acalmasse. <br>Minha m&#227;e me deu um rem&#233;dio e um abra&#231;o. <br>Ouvi palavras de um futuro bom, de acolhimento e encorajamento.<br>Meu pai me trouxe de volta pra casa dirigindo o meu carro. <br>Minha m&#227;e me mandou um lindo &#225;udio no final do dia. <br><br>E assim, no final do dia, consegui retomar a fun&#231;&#227;o M&#195;E com louvor, abastecida de amor e paz. </p><p>H&#225; dias em que o que salva &#233; ter pra onde voltar.</p><h2>Que sorte a minha poder ser filha. Que sorte a minha poder ser m&#227;e.</h2><p>E que desafio bonito &#233; ser porto pra algu&#233;m, mesmo quando o mar da gente tamb&#233;m est&#225; revolto.<br><br>Desejo que voc&#234; tenha um porto seguro.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Bz1d!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b6cab46-ade7-4b16-8510-89eecda3d096_6000x4000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Bz1d!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b6cab46-ade7-4b16-8510-89eecda3d096_6000x4000.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><br></p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/porto-seguro/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/porto-seguro/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Quando foi que fazer só uma coisa virou pouco?]]></title><description><![CDATA[O suficiente j&#225; era suficiente, at&#233; nos ensinarem a preencher cada minuto.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/quando-foi-que-fazer-so-uma-coisa</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/quando-foi-que-fazer-so-uma-coisa</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 02 Dec 2025 10:02:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9d228b7d-7977-47a3-b522-bd3c3dce7664_661x521.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Bordar enquanto assiste um curso online.<br>Lavar lou&#231;a enquanto ouve um podcast.<br>Dirigir enquanto escuta um &#225;udio de trabalho.<br>Participar de uma reuni&#227;o enquanto faz uma lista de tarefas.<br>Andar na rua enquanto responde uma mensagem. <br>Amamentar enquanto faz compras online.</p><p>Parece que o tempo inteiro a gente precisa <em>preencher</em> o tempo.<br>Como se ele, por si s&#243;, n&#227;o bastasse.</p><p>S&#243; que bordar j&#225; &#233; suficiente.<br>Ele j&#225; &#233; um exerc&#237;cio de presen&#231;a, de calma e de ritmo.<br>N&#227;o precisa ser &#8220;otimizado&#8221; com um curso.</p><p>Caminhar j&#225; &#233; completo por si s&#243;. N&#227;o precisa de m&#250;sica. <br>Assistir a uma aula tamb&#233;m.</p><p>Mas a gente tem essa necessidade de ocupar todos os espa&#231;os.<br>N&#227;o s&#243; da agenda, mas da cabe&#231;a.</p><p>Outro dia fui arrumar a cama e pensei &#8220;Ops, esqueci o podcast&#8221;. <br>Preciso mesmo aproveitar o  tempo da arruma&#231;&#227;o da cama para ouvir um trechinho de podcast?<br><br>Sil&#234;ncio? Melhor colocar um som.<br>Vazio? Preciso preencher.</p><p>O t&#233;dio assusta, mas talvez ele seja s&#243; um espelho do quanto &#233; dif&#237;cil parar e sustentar uma pausa ou uma &#250;nica atividade sem culpa.</p><p>Esse preenchimento constante esgota a gente de um jeito invis&#237;vel.<br>Porque n&#227;o parece esfor&#231;o, mas consome tudo.</p><p>Eu estou tentando, aos poucos, fazer uma coisa por vez.<br>E confiar que ela j&#225; &#233; suficiente.</p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/quando-foi-que-fazer-so-uma-coisa/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/quando-foi-que-fazer-so-uma-coisa/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Mãe é abrigo?]]></title><description><![CDATA[Reflex&#245;es sobre o abrigo que &#233; &#8212; e &#224;s vezes n&#227;o &#233; &#8212; ser m&#227;e.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/mae-e-abrigo</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/mae-e-abrigo</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 25 Nov 2025 10:02:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9e8371e1-3e42-4bf8-929d-50453342ce7f_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Em uma das minhas aulas de bordado, levei minha bolsa cheia de bastidores prontos. Queria tirar algumas d&#250;vidas com a professora. Mostrei pra turma dois dos meus xod&#243;s: a silhueta de uma gr&#225;vida e um bordado escrito &#8220;M&#227;e &#233; abrigo&#8221;.</p><p>A&#237; pronto. Bastou isso pra conversa sair das linhas e agulhas e ir direto pra maternidade, m&#227;es, sogras, noras e o que mais viesse.</p><p>Teve quem contasse que n&#227;o se d&#225; com a sogra. Teve quem disse que n&#227;o aguenta a nora. Teve quem fez elogiou e quem criticou suas m&#227;es. O clima parecia uma mistura de roda de terapia com happy hour, com pitadas generosas de ironia e risadas.</p><p>Em meio &#224;s confiss&#245;es, uma das senhoras contou, bem dram&#225;tica: &#8220;Mandei mensagem pros meus filhos segunda-feira dizendo: &#8216;Se eu tivesse morrido no fim de semana, ningu&#233;m saberia. Ningu&#233;m me ligou!&#8217;&#8221;</p><p>A gente riu pela dramaticidade mas com respeito, claro.</p><p>A conversa foi ganhando corpo: hist&#243;rias da juventude, tretas com m&#227;es, saudades de quem j&#225; se foi, lembran&#231;as daquelas que s&#243; quem j&#225; foi filha rebelde e virou m&#227;e cansada consegue entender. Eu contei como minha m&#227;e me fazia levantar da cama dizendo que &#8220;j&#225; eram quase 11h da manh&#227;&#8221;, sendo que ainda eram 9h. Truque materno que at&#233; hoje n&#227;o me conformo.</p><p>No meio do papo, uma das meninas (mais ou menos da minha idade, sem filhos) ficou observando. Viu meus bordados ali do lado, especialmente o &#8220;M&#227;e &#233; abrigo&#8221;, e soltou:</p><p><strong>&#8212; M&#227;e &#233; abrigo?</strong></p><p>A entona&#231;&#227;o era essa mesmo: de quem ouve a conversa toda e lan&#231;a a pergunta com uma sobrancelha levantada.</p><p>A sala caiu na gargalhada.</p><p>Porque sim, tem hora que m&#227;e &#233; abrigo. Mas tem hora que &#233; furac&#227;o, &#233; espi&#227; de domingo de manh&#227;, &#233; exagero, &#233; aus&#234;ncia, &#233; barulho, &#233; sil&#234;ncio que aperta.</p><p>M&#227;e &#233; abrigo. E tamb&#233;m &#233; sirene. &#201; colo e &#233; cobran&#231;a. &#201; abra&#231;o e &#233; indireta no grupo da fam&#237;lia.</p><p>E a gente, que hoje &#233; m&#227;e, tenta ser abrigo tamb&#233;m. Mas, &#224;s vezes, tamb&#233;m &#233; chuva, trov&#227;o e tempestade tropical.</p><p>A aula terminou. O bordado ficou mais bonito. A conversa mais ainda.</p><p>E o bastidor com o &#8220;M&#227;e &#233; abrigo&#8221;? Continua aqui em casa. Olho pra ele e penso: sim, &#233;. Mas com interroga&#231;&#227;o, exclama&#231;&#227;o, v&#237;rgula, retic&#234;ncia&#8230; e, se bobear, at&#233; um ponto final. Porque abrigo tamb&#233;m cansa. Mas sempre volta a abrir a porta.</p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/mae-e-abrigo/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/mae-e-abrigo/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu jurei que nunca faria cama compartilhada]]></title><description><![CDATA[&#8230;mas a&#237; nasceu o Pedro, o Gustavo foi pra minha cama, e a vida aconteceu.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/eu-jurei-que-nunca-faria-cama-compartilhada</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/eu-jurei-que-nunca-faria-cama-compartilhada</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 18 Nov 2025 11:00:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c2f47c2e-0013-431c-8c58-6c0c8e45668d_6000x4000.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Antes de ser m&#227;e, eu tinha certeza de algumas coisas:<br>N&#227;o ia dar a&#231;&#250;car antes dos dois anos.<br>N&#227;o ia gritar.<br>E, principalmente, n&#227;o ia fazer cama compartilhada.</p><p>Julgava quem fazia. Achava falta de limite, bagun&#231;a, caos.</p><p>At&#233; que o caos bateu na minha porta com fraldas, mamadas de tr&#234;s em tr&#234;s horas e dois filhos no mesmo quarto.</p><p>Quando o Pedro nasceu, ele e o Gustavo passaram a dividir o quarto.<br>E cada vez que o Pedro acordava (ou seja, o tempo todo), o Gustavo acordava junto. Era madrugada virando zona de guerra: choro de um lado, resmungo do outro, dois zumbis adultos tentando conter o estrago.</p><p>A solu&#231;&#227;o? Levar o Gustavo, o mais velho, pra nossa cama.<br>Isso mesmo: o beb&#234; ficou no quarto dele, e o mais velho veio dormir com a gente. Parece ao contr&#225;rio, n&#233;? Porque o comum &#233; o beb&#234; ir pro quarto dos pais. Mas pra gente, foi o que funcionou. E no in&#237;cio, era pra ser tempor&#225;rio. S&#243; at&#233; o Pedro se adaptar.</p><p>Corta pra hoje: Pedro com um ano e dois meses. Gustavo com quase quatro.<br>E ainda dormindo no meio da nossa cama.</p><p>E quer saber? Eu gosto.<br>Gosto dele encostadinho em mim, da respira&#231;&#227;o calma, do pezinho quente procurando meu corpo no meio da noite.<br>Gosto de saber que ele t&#225; ali.</p><p>Mas tamb&#233;m&#8230;eu durmo mal. Ele se mexe. Me empurra.<br>A cama, feita para dois adultos, virou um sandu&#237;che de gente.</p><p>E mesmo sabendo que ele poderia voltar pro quarto dele, que j&#225; t&#225; todo pronto, bonitinho, com espa&#231;o s&#243; dele, a gente adia.<br><br>Eu e o pai dele ficamos nesse looping da pregui&#231;a: &#8220;Semana que vem a gente muda&#8221;. &#8220;Quando o Pedro estiver dormindo ainda melhor.&#8221; &#8220;Depois da pr&#243;xima fase.&#8221; &#8220;Na pr&#243;xima lua cheia, quem sabe?&#8221;</p><p>A verdade &#233;: quando n&#227;o &#233; emerg&#234;ncia, a gente posterga.</p><p>E a&#237; vem a parte curiosa.<br>Na semana passada, levamos o Gustavo ao otorrino.<br>Ele tava com um catarro no ouvido, resultado de uma otite mal resolvida. Esse catarro atrapalha a audi&#231;&#227;o e, se n&#227;o melhorar, vira caso cir&#250;rgico.</p><p>A m&#233;dica foi clara: a mamadeira antes de dormir piora a situa&#231;&#227;o, por causa da suc&#231;&#227;o.</p><p>E eu, que tava h&#225; meses &#8220;com pregui&#231;a&#8221; de tirar a mamadeira, tirei em dois dias.</p><p>Sim, subornei meu filho.<br>Levei numa loja, deixei ele escolher um brinquedo, e em troca ele jogou fora as mamadeiras.</p><p>Funcional? Sim.<br>Educacional? N&#227;o muito.<br>N&#227;o &#233; a melhor t&#233;cnica do mundo, mas funcionou.<br>Na hora do desespero, a gente vira criativa, pragm&#225;tica e um pouco cara de pau.</p><p>E tudo isso me fez pensar: como &#233; que a gente consegue agir t&#227;o r&#225;pido quando o risco &#233; real e adia por meses algo que &#8220;s&#243;&#8221; nos tira conforto, espa&#231;o, descanso?</p><p>Por que &#233; t&#227;o f&#225;cil correr atr&#225;s de solu&#231;&#227;o quando d&#243;i neles e t&#227;o dif&#237;cil quando a dor &#233; s&#243; nossa?</p><p>A cama compartilhada aqui segue firme. Ainda n&#227;o virou emerg&#234;ncia.<br>Mas talvez esteja virando inc&#244;modo. E inc&#244;modo tamb&#233;m merece aten&#231;&#227;o.</p><p>Eu jurei que n&#227;o faria cama compartilhada.<br>E c&#225; estou.<br>Espremida entre dois corpos.<br>Dormindo mal, mas vivendo algo que, talvez, daqui a uns anos, eu v&#225; sentir saudade.</p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/eu-jurei-que-nunca-faria-cama-compartilhada/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/eu-jurei-que-nunca-faria-cama-compartilhada/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Quando o caos é o lugar certo]]></title><description><![CDATA[Porque eu quero estar exatamente aqui.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/quando-o-caos-e-o-lugar-certo</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/quando-o-caos-e-o-lugar-certo</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 11 Nov 2025 10:30:46 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fdd92137-bfe1-4404-8f74-83bfa4e1df68_425x313.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Lembro de um jantar, h&#225; mais de dez anos, quando eu ainda era solteira e sem filhos. Um amigo contava, entre risos e desabafos, como o r&#233;veillon com a esposa, os filhos e a bab&#225; tinha sido um saco.</p><p>Dois carros pra viajar: a bab&#225; n&#227;o cabia entre as cadeirinhas.<br>Inveja das fotos dos amigos solteiros no Nordeste.<br>Sil&#234;ncio na noite de ano-novo, porque as crian&#231;as j&#225; estavam dormindo.<br>Rotina infantil, castelinhos na areia, choros, sonecas. Aquelas f&#233;rias cheias de &#8220;log&#237;stica&#8221; e zero descanso.</p><p>A gente riu muito, ele contava com gra&#231;a, e a com&#233;dia funcionava.<br>Hoje, eu teria mais empatia.<br>Na &#233;poca? Gargalhada.<br><br>E hoje... eu estou exatamente naquela rotina que ele tanto odiou.</p><p>Mas quer saber? N&#227;o julgo o que ele sentiu.<br>Que bom que ele teve amigos pra rir e desabafar. Falar em voz alta ajuda a processar. Ajuda a enxergar.</p><p>Se fosse hoje, eu teria ouvido diferente.<br>Talvez, at&#233; comovida.</p><p>E pensando nisso, posso dizer sem rodeios: <strong>estou exatamente onde queria estar</strong>.<br>E isso &#233; uma del&#237;cia.</p><p>Estou em paz com a minha rotina, suas dores, suas alegrias, suas contradi&#231;&#245;es.<br>Feliz em varrer a cozinha depois das refei&#231;&#245;es.<br>Em cozinhar um pouco a mais, pra ajudar a &#8220;Nat&#225;lia do futuro&#8221;.<br>Em trocar fralda de coc&#244; e ter companhia enquanto eu vou ao banheiro.<br>Em dividir meu p&#227;o com manteiga.<br>Em receber uma tossida na cara.<br>Em saber cantar a m&#250;sica de introdu&#231;&#227;o do desenho animado.<br>Em fingir que n&#227;o sei onde ele est&#225; e seguir atuando levando um susto.<br>Em levantar pra buscar um copo d&#8217;&#225;gua segundos ap&#243;s eu ter sentado no sof&#225;.<br>Em recolher brinquedos no fim do dia (todo santo dia).<br>Em planejar mil layouts pra uma brinquedoteca que n&#227;o funciona como brinquedoteca &#8212; porque, n&#233;, &#233; tamb&#233;m meu escrit&#243;rio, e eles brincam mesmo &#233; na sala.</p><p>Feliz por viver essa loucura com mil compromissos infantis.<br>Feliz at&#233; nas festinhas, que viraram nosso novo barzinho.</p><h2>A maternidade n&#227;o &#233; s&#243; alegria. Mas, honestamente, o que na vida &#233;?</h2><p>Quando a gente sente que est&#225; no lugar certo, tudo muda de perspectiva.<br>At&#233; o caos vira companhia.<br>At&#233; o coc&#244; vira sinal de al&#237;vio.</p><p>Reclamo tamb&#233;m, claro.<br>Fico cansada, grito de vez em quando:</p><blockquote><p>&#8220;N&#227;o sai molhado do chuveiroooooo! T&#244; secando seu irm&#227;o, s&#243; tenho dois bra&#231;os, espera <strong>UM</strong> minuto!&#8221;</p></blockquote><p>Mas no fim do dia, o saldo &#233; positivo.<br>Tem prop&#243;sito, tem entrega, tem amor envolvido.<br>E &#233; isso que sustenta.</p><p>Sim, estou no meio do caos.<br>Mas dessa vez, por escolha.<br>E em paz.</p><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carreiraefilhos.substack.com/p/quando-o-caos-e-o-lugar-certo/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://carreiraefilhos.substack.com/p/quando-o-caos-e-o-lugar-certo/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O que nasce quando algo desmorona]]></title><description><![CDATA[Uma cr&#244;nica sobre medo, reconstru&#231;&#227;o e o sil&#234;ncio que vem antes da esperan&#231;a.]]></description><link>https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-que-nasce-quando-algo-desmorona</link><guid isPermaLink="false">https://carreiraefilhos.substack.com/p/o-que-nasce-quando-algo-desmorona</guid><dc:creator><![CDATA[Natália Soares]]></dc:creator><pubDate>Tue, 28 Oct 2025 11:00:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jPpV!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffb0bad75-6d13-471a-ae49-c6ee04667f14_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Esta cr&#244;nica foi escrita logo ap&#243;s descobrir uma gesta&#231;&#227;o que, mais tarde, n&#227;o evoluiu. Decidi mant&#234;-la como foi escrita &#8212; crua, confusa e verdadeira &#8212; porque ela traduz exatamente o turbilh&#227;o de sentimentos daquele momento.</em></p></blockquote><p><br>Eu me senti muito feliz com a mulher que me tornei no &#250;ltimo ano. Me senti completa aos 40 anos, com uma fam&#237;lia que amo e desejei: um marido muito parceiro, 2 filhos lindos. Fiz uma transi&#231;&#227;o de carreira, sa&#237; do CLT ap&#243;s 20 anos para me tornar empreendedora, me tornei volunt&#225;ria numa causa em que acredito, emagreci alguns quilos com muito sufoco, aprendi a bordar como um novo hobby, voltei a ler. <br><br>Consegui conciliar minha carreira, a maternidade, minha vida pessoal. Tudo isso durante o 1&#186; ano de vida do meu segundo filho. Me senti viva, potente, corajosa e muito feliz.</p><p>Eu n&#227;o me sentia t&#227;o feliz e completa havia tempos.<br>Mas a vida &#233; uma caixinha de surpresas, n&#227;o &#233; mesmo?</p><p>E um belo dia, me sinto estranha e percebo que minha menstrua&#231;&#227;o atrasou. Ser&#225;? <br>Comprei uma embalagem com 2 testes de gravidez por desencargo de consci&#234;ncia e fa&#231;o durante a tarde. Em segundos: positivo. Olho a embalagem pra checar se interpretei corretamente. Olho pro teste, olho pra embalagem, olho pro teste e pra embalagem. N&#227;o &#233; poss&#237;vel. Algo est&#225; errado.</p><p>Come&#231;o a tremer. O ar me falta, estou hiperventilando. <br>Ligo chorando pro meu marido e pe&#231;o pra ele voltar do trabalho. Estou gr&#225;vida. N&#227;o pode ser.<br><br>Sento em frente ao computador e pesquiso a data prov&#225;vel de parto e me choco quando vejo: maio. O m&#234;s com o maior potencial produtivo para o meu trabalho com parentalidade corporativa. Era o momento em que eu consolidaria meu neg&#243;cio.<br>Sinto a minha carreira ruir, o meu neg&#243;cio morrer.</p><p>Penso no meu corpo. Preciso interromper o medicamento que me ajuda a emagrecer. Eu estava indo t&#227;o bem, t&#227;o consistente, t&#227;o disciplinada. Tanto mal-estar que o rem&#233;dio me traz, mas t&#227;o resiliente eu me sentia. Tinha a meta de concluir o emagrecimento este ano. Me olho no espelho e me vejo automaticamente gorda. A imagem que me trazia orgulho e empolga&#231;&#227;o h&#225; minutos atr&#225;s se desfez.</p><p>Preciso falar com algu&#233;m. Penso na minha fam&#237;lia, nos meus amigos&#8230; n&#227;o sei a quem recorrer. Fa&#231;o outro teste. Deve estar errado. Eu fiz xixi errado, com certeza. Eu, que sempre controlei tudo, que planejei e escolhi engravidar duas vezes, n&#227;o posso passar por uma gesta&#231;&#227;o inesperada.</p><p>Entro no banheiro e fa&#231;o o segundo teste. O resultado &#233; MUITO POSITIVO em quest&#227;o de segundos. O teste n&#227;o deixa d&#250;vidas. Mas eu sigo em nega&#231;&#227;o, pe&#231;o mais um teste na farm&#225;cia, estou totalmente descrente e desesperada.</p><p>Como vou pagar 3 escolas? Vou ter que desfazer meu escrit&#243;rio para um novo quarto? No meu carro n&#227;o cabem 3 cadeirinhas. N&#227;o quero um carro gigante. N&#227;o quero, n&#227;o cabe, n&#227;o faz sentido. Vou ter que colocar as crian&#231;as no per&#237;odo integral? N&#227;o quero amamentar, n&#227;o quero passar pela introdu&#231;&#227;o alimentar novamente, n&#227;o quero parir, n&#227;o quero estar gr&#225;vida.</p><p>Sinto que passei o &#250;ltimo ano brincando de empreender. Me questiono se vou precisar voltar pro CLT. Agora preciso de dinheiro. Fralda, escola, plano de sa&#250;de. N&#227;o tenho mais o tempo que eu tinha. &#201; como se tudo o que eu tivesse constru&#237;do tivesse desmoronado. Era uma inven&#231;&#227;o. Uma perda de tempo.</p><p>Eu nunca imaginei passar por algo assim. Nunca tinha suspeitado de uma gravidez que n&#227;o fosse planejada. Nunca passei perrengue. Me sinto culpada. Logo eu, uma mulher de 40 anos, num casamento est&#225;vel e feliz, com filhos lindos e saud&#225;veis. Por que sinto isso?</p><p>Eu sei que vou amar essa crian&#231;a e vou cuidar bem dela. N&#227;o tenho d&#250;vidas. N&#227;o &#233; sobre amor. Nunca foi. Eu sabia que meu cora&#231;&#227;o se expandiria. Que o amor &#233; infinito.<br>Nunca foi sobre amor.</p><p>Ser m&#227;e &#233; o que eu fa&#231;o de melhor. Quer dizer, era at&#233; agora h&#225; pouco. Neste momento, me sinto uma farsa. Uma farsa como m&#227;e, uma farsa como profissional. Como algu&#233;m que trabalha com parentalidade pode ter uma rea&#231;&#227;o dessas ao descobrir uma gesta&#231;&#227;o?</p><p>Senti que estava num buraco. Sinto uma tristeza profunda por dias. Era como se eu n&#227;o tivesse o direito de me sentir feliz como eu estava e, por isso, algo viesse para me desestabilizar.<br><br>Eu amei quem eu me tornei ap&#243;s o segundo filho e sinto medo de n&#227;o gostar de quem vou encontrar ap&#243;s o terceiro.<br><br>Tenho medo de como a minha carreira vai fluir, como vou me organizar, de como vou lidar sendo m&#227;e de tr&#234;s crian&#231;as. Tenho medo de quem eu vou me tornar.</p><p>Passo dias acordando de madrugada, sem fome, paro de trabalhar e de ligar para os meus pais. As pessoas mais pr&#243;ximas percebem que algo n&#227;o vai bem, mas disfar&#231;o com alguma desculpa. N&#227;o consigo pensar em outra coisa. N&#227;o consigo compartilhar o que sinto. Percebo que &#233; a primeira vez que tenho um problema ao qual n&#227;o consigo recorrer a Deus. N&#227;o sinto vontade, nem me sinto digna.</p><p>Meu marido se mostra parceiro. Me ouve com aten&#231;&#227;o, tenta achar as melhores palavras, mas nem sempre consegue. &#192;s vezes quero abra&#231;&#225;-lo, &#224;s vezes sinto raiva. Volto a sentir tristeza. &#192;s vezes me culpo, &#224;s vezes me acolho.</p><p>Busco minha obstetra. Ela &#233; um verdadeiro porto seguro. Desabo. Falo tudo o que est&#225; no meu cora&#231;&#227;o. Ela me ouve, me acolhe e sugere uma terapeuta especializada no tema. Eu j&#225; imaginava que ela ia sugerir isso, e eu queria mesmo falar com algu&#233;m.</p><p>Com o tempo, vou organizando as ideias, passando por momentos de tristeza, medo e ang&#250;stia. Mas come&#231;o a intercalar alguns momentos de paz. Uma noite de sono completa. Um almo&#231;o feito por mim. Um abra&#231;o nas crian&#231;as. Um olhar de cumplicidade pro meu marido. Sei que estamos juntos.</p><p>Esta n&#227;o &#233; uma cr&#244;nica sobre este beb&#234;, mas sobre mim.<br>Sobre tudo o que precisei deixar morrer e o que, quem sabe, pode nascer no lugar.<br>Porque, no fundo, nunca foi sobre amor.<br>Foi sobre susto, sobre luto, sobre o medo de perder quem me tornei.<br>Mas aos poucos, entre noites mal dormidas e abra&#231;os apertados, vou entendendo:<br><strong>talvez n&#227;o seja sobre perder, mas sobre expandir</strong>.<br>Ainda n&#227;o sei quem vou me tornar.<br>Mas quero ir ao encontro dela.</p><p><strong>&#8220;Coragem n&#227;o &#233; aus&#234;ncia de medo. &#201; agir apesar dele.&#8221;<br></strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jPpV!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffb0bad75-6d13-471a-ae49-c6ee04667f14_1024x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jPpV!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffb0bad75-6d13-471a-ae49-c6ee04667f14_1024x1024.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jPpV!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffb0bad75-6d13-471a-ae49-c6ee04667f14_1024x1024.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jPpV!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffb0bad75-6d13-471a-ae49-c6ee04667f14_1024x1024.png 1272w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ADxn!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc25d3291-49db-4f06-8920-bea263c57baf_3456x4608.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tive uma gravidez saud&#225;vel, tranquila e feliz. &#10084;&#65039;<br><br>No 1&#186; trimestre tive um pouquinho de enjoo e muito sono! Eu e o papai faz&#237;amos caminhadas todos os finais de semana at&#233; uma pra&#231;a aqui no bairro. Fic&#225;vamos olhando as fam&#237;lias por l&#225; e imagin&#225;vamos como a sua chegada seria feliz!</p><p>A minha gesta&#231;&#227;o aconteceu durante a pandemia do coronav&#237;rus e, por isso, tivemos que tomar cuidados extras para n&#227;o contrair o v&#237;rus: vimos poucas pessoas, n&#227;o fomos a festas nem aglomera&#231;&#245;es e usamos m&#225;scaras de prote&#231;&#227;o. Eu fiquei muito feliz quando chegou a minha vez de tomar a vacina (Pfizer) em maio de 2021.</p><p>O 2&#186; trimestre foi o mais legal, pois n&#227;o tinha nenhuma queixa e minha barriga come&#231;ou a aparecer. Me sentia muito linda e adorava usar roupas bem justas para evidenciar a &#8220;pan&#231;a&#8221;. Eu fui muito ativa durante a gesta&#231;&#227;o: fiz pilates, caminhadas com o papai e personal com o papai tamb&#233;m.</p><p>Por conta da pandemia, trabalhei <em>home office</em> toda a gesta&#231;&#227;o, o que facilitou muito a minha vida. Nesta &#233;poca, eu trabalhava em uma multinacional e o papai em uma consultoria de neg&#243;cios.</p><p>No in&#237;cio do 3&#186; trimestre, fiz um micro ch&#225; de beb&#234; aqui em casa (por conta do covid teve que ser micro!) e o tema foi abacate, pois quando eu conheci o papai ele estava fantasiado de abacate em um bloquinho de carnaval chamado &#8220;Saia de Chita&#8221;.</p><p>O 3&#186; trimestre foi cansativo, pois voc&#234; estava grand&#227;o dentro da barriga! A mam&#227;e ficava um pouco sem ar, era dif&#237;cil levantar da cama ou do sof&#225; e fazia mil xixis por dia.</p><p>Eu trabalhei at&#233; 38 semanas de gesta&#231;&#227;o. No dia 26/10/21 completei 39 semanas e acordei com leves c&#243;licas (eu n&#227;o sabia, mas j&#225; era in&#237;cio do trabalho de parto!).</p><p>As dores se intensificaram de volta das 9h30 da manh&#227;. &#192;s 12h chegamos na maternidade e voc&#234; nasceu &#224;s 13h38 &#8212; um parto a jato! Eu e o papai est&#225;vamos muito tranquilos e felizes. Eu n&#227;o sentia medo, s&#243; sentia paz e felicidade por saber que voc&#234; estava chegando.</p><p>Quem ajudou no parto foi a maravilhosa Dra. L&#237;via. Foi um parto r&#225;pido, respeitoso, lindo, leve e cheio de amor! Ao nascer, a 1&#170; coisa que voc&#234; fez foi espirrar. Foi a coisa mais fofa do mundo.</p><p>Guga, voc&#234; j&#225; era amado muito antes de existir!<br>A minha vida &#233; muito mais feliz com voc&#234;.<br>Te amo infinito! </p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ADxn!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc25d3291-49db-4f06-8920-bea263c57baf_3456x4608.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ADxn!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc25d3291-49db-4f06-8920-bea263c57baf_3456x4608.jpeg 424w, 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